PRECONCEITO & IGNORÂNCIA.
Num mês em que é comemorada a consciência negra no Brasil, em que o dia 20 de novembro é dedicado à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira, poderíamos também refletir sobre as tantas outras formas de preconceito, que às vezes nem nos damos conta que existem.
Mas o que é “preconceito”?
Preconceito é um juízo preconcebido, manifestado geralmente na forma de uma atitude discriminatória. As formas mais comuns de preconceito são: social, racial, sexual e religioso.
Ter algum preconceito não é algo tão condenável; afinal, ele surge de acordo com o nível individual de compreensão a certa coisa. Mas há uma diferença entre ‘ser ignorante’ e ‘saber, mas não aceitar’.
O ignorante é aquele que se depara com uma diferença nova para seu mundo, então ele poderá desenvolver diversos preconceitos, até poder entender e aceitar tal diferença, porém quando este não a aceita ele provavelmente desenvolverá atos de discriminação, condenáveis de acordo com a moral, ética e leis vigentes no mundo.
O aceitar ou não aceitar é que depende do nível de cultura e educação que cada pessoa recebeu.
Grupos como os neonazistas, que em sua maioria promovem discriminação contra grupos específicos (homossexuais, negros, índios, judeus e comunistas), são dissidentes da cultura de um país que foi dominado por uma doutrina de ignorância totalitária.
É muito triste a existência e insistência de alguns preconceitos, que só fazem refletir a ignorância discriminatória de um povo.
Ter leis para combater tais preconceitos, às vezes só dão maior conotação a esse tipo de ignorância.
Leis que favoreçam os idosos e deficientes físicos, por exemplo, são justificáveis pelas dificuldades que essas pessoas enfrentam no dia-a-dia, problemas como a acessibilidade.
Mas o sistema de cotas raciais em empresas e universidades beira o absurdo da segregação racial, e é quase um retrocesso na história no nosso País.
Também é icompreensível a justificativa de que as cotas raciais são devidas para os que não tiveram condições de um estudo melhor, quando o sistema educacional no País inteiro é falido!
Por que então não fazer um sistema de cotas para pessoas carentes, ao invés de cotas raciais?
Esse atual sistema soa mal, é ofensivo, dá a falsa impressão de que negros são menos inteligentes.
Vivemos em um País preconceituoso por causa da falta de educação, cultura e informação, mas isso só compete a nós mudarmos e só vamos mudar quando nos conscientizarmos de que todo poder emana do povo e que podemos deixar de ser ignorantes por opção.
Os problemas do nosso País, sejam eles sociais, culturais, raciais, cívicos ou ambientais, não deveriam apenas encontrar reflexo em datas comemorativas, mas sim todos os dias, através de programas educacionais levados a todas as classes. Só assim poderíamos viver num Brasil livre da ignorância discriminatória e do preconceito.
Clarissa Helena Schneedorf Novi - advogada da Comarca de Peruíbe/SP.